Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Tejo Norte

ÚLTIMA CARTADA
Numa cidade, como Lisboa, onde em muitos casos se pode estar prazenteiramente na janela do quarto, a olhar agradavelmente o rio Tejo e a magnitude do seu atraente estuário, ao mesmo tempo sentir um frémito de desconforto por tanta devassidão, que a cada passo se detecta.
Era nisto em que, embora no seu positivismo, Paula ia meditando. De facto o mundo tinha de tudo, como fraudes, que ficavam à luz do dia, a justiça de um país dito civilizado, não encontrando provas, acabava por arquivar.
A corrupção vem-se instalando, mesmo a alto nível e as leis, talvez porque o poder económico paga tudo, não procuram adequar as leis ao tempo?
Proliferará o medo da verdade?
Quem alimenta esse temor?
Paula pensava nisto tudo, as suas “Investigações Particulares”, não têm falta de trabalho, a maior parte das vezes, o que ali é provado, a justiça estando muito dependente das leis emanadas pelo poder económico, dá como não provado.
Não poderá ser considerada abúlica uma justiça, onde casos há, em que o veredicto, muitas vezes anda de Pôncio para Pilatos vários anos?
Quando a sentença é conclusiva o réu, apanha simplesmente pena suspensa, o mesmo que dizer:
- Absolvido!... A sociedade pede desculpa pelo incómodo!...
Paula continua sempre a beneficiar do carinho do Gil, do seu conhecimento sociológico e da sagacidade pessoal que apresenta.
Este é movido, exactamente por apreciar o trabalho da amiga, sente-se recompensado pelo reconhecimento desta.
Depois acontece ternura, logicamente.
Entretanto, Gil ama de a esposa de verdade, a bonita, a doce, a inteligente Daniela. Esta por sua vez, equaciona vezes, sem conta, a possível infidelidade do marido, mas sempre o achou carinhoso e amoroso.
Acha melhor viver e deixar viver, nunca o questionou ou intrometeu.
Mal conhecia a rival, de quem não alimenta ciúme, é assim a Daniela, uma verdadeira senhora!
Paula continua mantendo os seus encontros com Zeca, na pastelaria “Corália”, dado que esta sabe ser amiga e mantém uma conversa actualizada agradável.
Soube assim que sofreu, mas como continuou sempre extremamente cerebral, acabava de conluio com Joel, ir oferecendo uns dinheiritos ao Helmer, com que este ai até ao bar, deixando-os em casa sós.
Como um casal de rolas, arrulhavam felizes!...
Hoje Joel e Zeca formam um casal feliz, em casa própria.
As “Investigações Particulares” superiormente, administradas por Paula, vão mantendo o inefável, mulherengo Campelo prosseguem.


FIM DO DO "TEJO NORTE", FIM DO BLOG, ESTE ENSAIO POLICIAL FICA Á DISPOSIÇÃO DE TODOS OS BLOGUER'S.

Daniel Costa


Sábado, 30 de Maio de 2009

Tejo Norte - 33

AUTO-ESTRADAS DA PERVERSÃO

Depois de ter tomado o pequeno-almoço com a Zeca, Paula voltou ao seu escritório particular, onde trabalhava uma peça de investigação jornalística que lhe fora solicitada.
Fazia-o gostosamente, como a fascinavam as suas “Investigações Particulares”.
Tinha volvido tempo e Gil, que trabalhara com afinco a estudar no PC, o caso Durvalino, propusera para esse dia uma reunião a três: ele próprio, Campelo e Paula, ambos se dedicaram um pouco ao assunto.
Gil porém, propusera-se fazê-lo a fundo.
Criou blogues, em mais duas operadoras, além da “Estrela de Prata”, vários espaços, em outros tantos fóruns, como o Sónico, o Bardoo, o Facebook, etc.
Acabou por criar bastantes amizades virtuais e ir observando comportamentos.
Iniciada a reunião, começou por Campelo, que embora muito dedicado ao seu blogue, pouco adiantou. Paula que ficara ciente que podia contar com a entrega de Gil, o que apurou pessoalmente também poucos valores apresentou.
Por fim, chegou a vez de Gil explanar tudo o que tinha apurado.
Para começar, só os tribunais teriam capacidade para julgar abusos. Nos fóruns havia apenas funcionalidades automáticas, a tentar evitar useiros a perverter.
Os blogues ou outros fóruns, como no Sónico, transversal a todo o mundo, ou o Facebook, têm como principio a componente lúdica o que pressuporia não serem, utilizados comentários desagraveis, mas há quem faça gala em molestar, usando a capa do anonimato, para exporem aquilo a que se pode atribuir um nome: frustração, filha da mediocridade.
No Sónico, um amigo criou mesmo, uma comunidade para tentar lutar contra as falsidades.
Um grupo de bloguers, além de funcionalidades impar, vêm actualizando-se, diariamente, uma permite que o seu administrador, apenas o abra a convidados, além de que existe a de os comentários só entrarem, depois de aprovados.
É esta, apenas a procura de privacidade, de que se pode dispor. Por outro lado o operador não pode restringir liberdade.
Tudo impessoal, feito com automatismos.
Gil podia testemunhar bastantes perversidades, pois ao longo do estudo arquivara muitas, também bastantes parvoíces, que incomodavam, sobretudo senhoras.
Finalmente Gil referiu-se aos blogues “Estrela de Prata”: é confrangedor, terem como fim o marketing de uma empresa e acabarem por ser aquilo a que se podia chamar publicidade enganosa.
A operadora, ao contrário de outras, restringe-se apenas a Portugal, com raríssimas excepções, nomeadamente do Brasil.
Houve a ideia de os dotar com a “Caixa de Pandora”, onde o bloguer pode enviar, sem restrições, mensagens privadas a colegas, como se tratasse dum E-Mail. No entanto, as mesmas poderão ser tudo, menos privadas. Mensagens foram detectadas, com cerca de quarenta violações.
As mesmas vêm servindo como depósitos verbais de veneno. Bastastes pessoas enviaram mensagens de queixa ao departamento respectivo da operadora.
Quando há respostas, são inclusivas, os garotos da escola não fariam pior.
A facilidade de abertura destes blogues são um facto, curiosamente para fazer comentários é necessário apenas estar inscrito, de outro PC ainda que na mesma sala, sem inscrição num blogue não pode haver comentários, ao contrário de outro em que se exige sempre conta, mas pode havê-los e até postar-se, mediante essa.
Coma resultado, desta ordem de factos na “Estrela de Prata”, existem taras de quem se entretenha a abrir blogues às dezenas, o que pode ser provado. Um pode servir para um comentário delicodoce, um outro para escrever o contrário.
Risível foi um comentário, em que um inqualificável bloguista, escreveu algo a defender-se.
Na “Caixa de Pandora”, teve a aleivosia de chamar-se mentiroso, com outro nick name, o Gil ficou a saber que era quem e pode provar.
Posto isto Paula podia mandar fazer relatório para o Durvalino.
Realmente Gil é o máximo de concentração mental.
Nisto fizeram a despedida em casa de Paula com as habituais cenas de glamour.

Daniel Costa



Sábado, 2 de Maio de 2009

Tejo Norte - XXXII

UNIVERSO DA BLOGOSFERA

Chegara ao escritório das “Investigações Particulares” um novo pedido de investigação sobre tropelias em blogues. Campelo já traquejado em preparar trabalhos de investigação, a que ia dedicando gosto e atenção, recebeu o Durvalino
Indicou-lhe uma cadeira, para se sentar e com a habitual perícia, foi anotando tudo de quanto se queixava, estando a achar extremamente curioso.
Tratava-se de novo, do grupo de blogues “Estrela de Prata”. Porém, Durvalino indignado apresentava o caso mais preto do que antes fizera Miriam.
A chegada da Paula, coincidiu ainda com a sua presença, para quem a figura de mulher, que os deuses, tinham feito formosura, a que nenhum homem fica indiferente. Parecia ao queixoso, que se deparara com uma estrela cintilante a que não se alheara.
Embora, qualquer mulher goste de se ver admirada. Este fez que não reparava nisso e foi-lhe pondo questões atrás de questões. Já tinha ouvido contar muitas e escabrosas histórias da Internete, mas na actividade lúdica, que é a de ser bloguista?
Ficara a cismar no assunto. Campelo, nas horas vagas, dedicava-se aos blogues. Tanto ela como o Gil passaram a estar mais atentos à grande modernidade que lhes aparecia.
De facto, os primeiros blogues apareceram em 1999. Não foram os criadores, como acontece na maioria dos casos, os principais a beneficiar da inovação, mas sim o Google que comprara a patente e partira da pequena empresa para alargar o serviço.
Depois surgiram várias operadoras a fornecer o mesmo, como a “Estrela de Prata”.
A partir daí, Gil encarregara-se de se dedicar bastante aos blogues e serviços, que lhe pareciam afins, aparecendo com inúmeras funcionalidades técnico-lúdicas e não só, como o caso do Sonico, talvez o mais parecido com os da blogosfera.
No Sonico centenas de pessoas podiam estar conotadas, algures em todo o mundo, que beneficiavam de meios, que lhes eram postos à disposição, como o envio de bonitos cartões, simultaneamente, a todos os amigos.
Depois, por exemplo o Bardoo, mais destinado a uniões, ou encontros amorosos, menos sofisticado. Todo um mundo, o cúmulo da modernidade virtual.
Gil, amando a sua Daniela, diariamente visitava Paula em sua casa, onde conferenciava, sobre as suas observações, enquanto vivia o enlevo amoroso, muito do agrado dela, já que não lhe negava bons momentos de amorosos.
Nesse dia trazia várias observações sobre blogues e outros fóruns, de outras tantas operadoras. A “Caixa de Pandora”, os comentários, comentários sobre os outros, tudo um mundo muito estranho, em relação ao “Estrela de Prata”, que lhe parecera marketing enganoso.
Já havia chegado à conclusão, em virtude de comparações, que a operadora não dispunha de meios automáticos que garantisse de um mínimo de privacidade aos aderentes.
Dispunha de vários dados, alguns confidenciais, mas seria importante continuar a observar muitos dos próprios blogues, para que tinha criado um “departamento” especial de favoritos, além de outro de cópias e anotações no Word.
Do que era público, podia voltar a divulgar, mesmo assim, se fosse caso disso, pediria permissão aos autores, ou administradores do próprio blogue, que nem se aperceberiam de um clima de perversidade visível, se bem observado.
Por exemplo, como se explicam as largas dezenas de blogues abertos, apenas para poderem comentar outros, muito pouco ortodoxamente, a que respondiam, sem ter o cuidado de ver o blogue respectivo, que nem sequer podiam abrir.
É de crer que o próprio bloguista teria de tomar precauções, já que a operadora, segundo dados próprios, não queria, por conveniência, ou não podia.
Reviram todo o problema, Gil ainda manteria tudo sob observação. De facto a Internet era mais do que um mundo, era um universo, que avançava rapidamente e conviria acompanhar com muita atenção, porque já tudo dependia dela. Até o mundo da baixeza do pensamento humano.
Com isto o par, depois das habituais manifestações de carinho amoroso despediu-se, ficando de voltar ao assunto Durvalino, depois de mais estudados certos casos.

Daniel Costa

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Tejo Norte - 31

SOCIOLOGIA

Há casos, verdadeiramente sociológicos, como o é numa escala elevada ao cubo, o do banco Patatau, que no fundo são gerados pela própria sociedade em si.
De uma maneira geral, no mundo financeiro, administradores prosperam, numa grande desumanidade, dir-se-ia falta de solidariedade, para os pequenos aforradores.
Na verdade, não pode haver dúvidas. São eles os pobres, os grandes credores dos bancos. Eles a quem procuram poder exigir, cada vez paguem mais, em novas taxas, para que o caudal de benefícios próprios vá engrossando.
Paula ia trabalhando e pensando neste mesquinho e aviltado universo financeiro, em que nos movemos, onde muitos, mesmo no limiar da pobreza, sem o desejarem, contribuem para poucos distribuírem, entre si, avultadas benesses.
De facto, há uma grande falta da mais pequena fatia de moralidade, de quem recebe das mãos do povo poderes, para cuidar de métodos para regular melhor esta sociedade de mesquinhez, que ameaça alastrar.
No fundo, não é o povo quem mais ordena. Se o único direito, que tem é o de votar em quem, irá fazer os eternos desmandos para este pagar?
Por agora, seria apresentado o relatório à Tatiana, que a descansaria.
O Estado, com a sua grande companhia de futuros administradores de bancos, digamos prepotentemente, propunha-se ter verbas à disposição, para o caso de virem a ter necessidade de pagar desvios.
Era esquecido que, o Estado é constituído por todos os contribuintes, que teriam de financiar de novo, o engrossar das grandes fortunas, que se tinham acumulado à custa dos pobres depositantes.
Paula que dedicara o dia a trabalhos de jornalismo, foi encontrar-se com a agradável Zeca na pastelaria "Corália", cada qual tomou o café pós almoço, enquanto foram conversando.
Era o dia das confidências, das esperadas confidências, para que Paula foi toda ouvidos.
O Joel tinha-se tornado amigo do Gil, talvez mais para estar por perto da sua mulher.
A princípio hesitante, depois insistentemente convidado. Um dia aceitou ir jantar e passou a ser presença, mais ou menos constante.
Entretanto, Zeca já era sua amante: o Gil perece que adivinhava, ou sabia?
Já que este era bastante amigo.
A cerebral amiga, confessou ter conhecido outros amantes. Porém mais nenhum reunia as qualidades e o próprio estado civil do Joel.
Queres dizer, tencionas deixar o primeiro marido?
Com certeza!...
Até porque, a sua personalidade, altaneira de galã, se tem vindo a degradar!
Nisto, despediram-se.
Paula, muito pensativa, voltou ao trabalho e esperou ansiosa pelo namorado.
Quando este chegou, de novo os habituais enlevos de enamoramento.
Subitamente, esta deu em abordar as confidências da amiga, que não causaram admiração.
Afinal, Gil sabia de tudo!
Não te dizia?
Previa haver já jogo duplo, ou traição à vista!...

Daniel Costa


Domingo, 19 de Abril de 2009

Tejo Norte - 30

BANCO PATATAU

Paula rodava a caminho da sede das Investigações, conduzindo o carro, ao mesmo tempo ia cismando neste mundo, que depressa chegara à modernidade, economicamente, estava agora regredir, no entanto.
Como, no seu afã, de fazer jornalismo de investigação, estudara a evolução das artes gráficas. Sabia que em determinada altura, seria o sector empresarial que mais depressa evoluía, onde o factor comissões, em princípio, era sinónimo de corrupção. Atestava-o, uma amostra das suas investigações.
O próprio Gil, a trabalhar nesse sector, Sabia e confirmava isso.
Recordava, ter lido algo sobre Johannes Gutenberg, que lá em Mogúncia, na Alemanha do século catorze, inventou os tipos móveis, revolucionando a tipografia.
Cerca de seis séculos depois, dera-se um avanço tal, que até as fabulosas máquinas compositoras, a chumbo quente, as Linotypes, que vieram fazer sucesso na composição de livros e jornais, se estavam a tornar obsoletas.
Entrava-se em nova era, para o sector, vieram as efémeras, máquinas computadorizadas, de compor por meio de pré furação, de encher uma sala, só por si, a composição por grandes bisarmas de computadores, Entretanto chegaram as teleimpressoras, que sós, em sala própria nos jornais, recolhendo notícias do mundo.
Vieram os modernos PC’s, que autónomos se transportam, numa maleta para todo o lado, e eis o mundo alcance de todos.
Com o avanço tecnológico, apareceu uma maior disponibilidade e disfarces, para os habilidosos corruptores.
Com estas lucubrações, Paula fez o caminho, conduzindo maquinalmente, chegando ao destino, sem ter dar por isso.
Como era de hábito, reuniu com Campelo, vendo o que havia de novo e para dar as suas ordens, se fosse caso disso.
Este apresentou-lhe um dossier, que entretanto, havia preparado.
O Banco Patatau, tinha sido intervencionado, pelo patrão Estado, para ser evitada a queda iminente. Já que o accionista principal, arranjou artes de desviar fundos e guardá-los. Em troca, ia tapando o buraco com papéis de valor, sem o respectivo.
Uma senhora já com certa idade, com o nome moderno de Tatiana, deslocara-se ali para fazer um pedido de investigação. Guardara, ali todas as economias, o que lhe iria acontecer?
Questão pertinente, visto que no século passado, tinha havido em 1929, a grande recessão americana, onde muitos bancos caíram em falência. As economias de muitos foram por água abaixo.
Veio à ideia aquele dito pacóvio sobre agricultura:
“Compadre, isto está mau, se não chove vai tudo por água abaixo!”
Paula, guardou o dossier, tinha ali um motivo interessante, para se debruçar, em conversa com o seu Gil.
Depois de rever os seus papéis, regressou a casa.
Iniciou a tarde, na pastelaria Corália, tomando o café com a Zeca. Mais uma vez, ao contrário do que lhe conhecia, mostrava-se deprimida a fazer queixas do marido.
Foi falando com ela, tentando acalmá-la, não descurando, qualquer possível confidência, muito própria de mulheres. Embora parecendo estar quase a fazê-la, guardou-se ainda.
No seu escritório, do aconchego de casa, aguardou a chegada a visita do sempre desejado Gil, como se fora namoradinho de novidade.
Chegado este, logo nele se embrulhou, languidamente, numa manifestação carinho e de carência.
Depois, conversaram, como o sabiam fazer. Em primeiro lugar falou-lhe da amiga Zeca e do seu ar, como que, desanimado.
Gil sorriu e disse: nesta altura já ela, assumiu o seu jogo duplo, como previra, com o Joel, visita do casal, que se deixara conquistar, segundo me foi confidenciado, é por isso que ainda anda deprimida: “o pecado condena!”
Chegou, entretanto, a altura de analisarem o caso da Tatiana e do Banco Patatau.
Concluíram ambos, que uma vez, a tomada de nova gestão, afastara o perigo, por agora e enquanto houvessem pobres, com as contas ali sediadas!...
Como eram estes que, assim emprestavam dinheiro aos bancos, de todas as maneiras, até com os seus impostos, que servem também para o Estado garantir a necessária solidez.

Daniel Costa



Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Tejo Norte - 29

MINHOCAS

A tomar o pequeno-almoço, ali na pastelaria “Corália,” que frequentava havia bastante tempo, já como fosse um seu escritório, visto que era aí que reunia bastantes vezes com pessoas do seu círculo de amizades.
Amigas como a Paula, por exemplo, onde se encontrava muitas vezes com ela, algumas por acaso. Estava extremamente nervosa, dir-se-ia depressiva, contra a sua índole. Se aparecesse, sempre desabafaria, algo a atormentava.
Enquanto ia cogitando, eis que ela apareceu. O seu semblante mudou, como o de um dia cinzento, para um sol radioso, deram início a uma conversa amena e interessante, como era hábito de ambas.
Estavam nisto e quem havia de chegar?
Nada menos que Gil, talvez não por acaso. Foi imediatamente convidado a bater papo com elas.
Como era amigo comum e a Zeca, há muito que estava na boa com ele, pensou:
- Dá jeito que me vá ouvir, já que os meus problemas, têm a ver com o Helmer, que bem conhece.
Nisto, começa a desenrolar conversa, um episódio que até ali não a atormentaria, mas agora parecia-lhe absurdo.
Um dos companheiros, do bar que frequentava, incutira-lhe no espírito as potencialidades económicas de uma cultura de minhocas, mesmo em pequenos espaços, produziriam muito húmus.
Como este serviria para enriquecer o terreno, preparando-o para culturas biológicas, a sua produção era elevadamente rentável.
O entusiasmo de Helmer, como sempre que havia dinheiro em jogo, na sua euforia, com o seu poder de negociação, propondo sociedade a um vizinho, o Manaia.
Este entraria com o capital, ele com o espaço de terreno, junto a casa.
Como não seria necessário muito dinheiro, a sociedade foi formada, com o capital imediatamente realizado, com vista às primeiras despesas.
Aconteceu o previsível, do que já se conhece da personagem. Enquanto durou a “massa,” ficaram esquecidas as minhocas, que tinham de ser adquiridas, para produzir o húmus. No fundo, os fundos eram mais credíveis que a tal cultura.
Zeca, que nunca se indignara, com os desvios do marido, no entanto ficara deprimida, quando Joice a abordou, com vista a reaver o dinheiro, positivamente cravado ao marido.
Embora tivesse respondido, nada ter a ver com os negócios do seu homem, atitude que passaria a tomar, ficara deprimida.
Paula regressou a casa, onde trabalhou, a manhã no escritório, acabando a ”peça,” que havia de entregar naquele dia no jornal.
Depois foi almoçar ao “Meia Taça,” com sentido de fazer as últimas observações, com vista a um aprofundamento do caso “Estrangeira.” Almoçou calmamente, a rematar pediu um rum, mais para passar tempo a procurar ver se observava algo de suspeito.
Tudo lhe pareceu normal, mais uma vez, a casa parecia frequentada por uma clientela de respeito.
Cismando no caso regressou a casa, sempre suspirando pela chegada do Gil, sobretudo, para ter a sua versão desta última do Helmer, mas também para conhecer a sua opinião, sobre o relatório a entregar à Eufrásia.
Chegando Gil, acolheu-o com mimos e a afabilidade de sempre, idolatrava-o! O seu porte, a sua postura, o modo como opinava sobre todos os assuntos que a prendiam. Enfim, via-o com inesgotáveis qualidades.
Porém, naquele dia a conversa matinal era assunto, a prende-la prioritariamente.
Tratou logo de auscultar a sua versão, do facto.
Tinha tido a habitual conversa com Joel, outro credor, naturalmente, instigado pela própria Zeca. Passara a ser visita habitual da casa e a amigo íntimo da dona da casa. Intimidade já consumada, na prática.
Depois sorriu, malicioso, como podia agir de outra forma?
Sobre o caso “Estrangeira,” foi passando a consumir o seu Porto no “Meia Taça.” Nada achou de suspeito no restaurante pub, mas conquistara a confiança dum empregado, por sinal, amigo mais íntimo do Teófilo, que pensava guardar sigilo da vinda da Natacha.
Convidou mesmo, o Leonardo a fazer uma visita e a beber um copo, na casa onde a Inglesa passava férias. Conservou a visita sigilosa, como lhe fora recomendado.
Aconteceu que, numa de bom cicerone, depois do almoço passeava sempre no jardim fronteiro ao pub. Em resultado tudo o mundo soube e via o caso com foros de escândalo,
A morte súbita, no típico Bairro Alto, de Lisboa deverá ter sido, mesmo motivada por doença súbita.
A versão oficial, sem sombra de dúvida, deverá ter mesmo consistência!

Daniel Costa

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Tejo Norte - 28

CONTENCIOSO

Enquanto trabalhava, em mais uma peça jornalística, no seu escritório particular, Paula ia pensado na Zeca, que se tornara amiga.
Sempre mostrara potencialidades para o ser, uma vez que era inteligente e boa conversadora.
Porém, o Gil andava a aventar a possibilidade de a amiga, ouvir o marido pacientemente e fazer jogo duplo, tendo um amante, bem que o Helmer merecia uma”armação,” mas que ”diacho,” podia resolver o problema com o abandono do lar!
Agora que já vira, estar a viver um casamento falhado, um caso perdido. Realmente, merecia outra situação amorosa, mas devia, em primeiro lugar, tratar da sua independência pessoal, que no fundo, a situação económica permitia.
Meditando, seriamente, no caso ansiava pelos afagos do amado. Depois da sua ajuda na ponderação dos casos pendentes, sob investigação, para que o Gil parecia dotado.
Que grande companheiro!...
Depois de feito o despacho, para o jornal, mais à noite, este apareceu, como era hábito.
Desta vez, depois das habituais carícias, entraram de imediato, no capítulo trabalho. Saiu o caso “Colapso,” realmente, o amigo do Gil tinha dado mais dicas. Como o caso era a nível ibérico, a imprensa espanhola da especialidade, debruçara-se sobre o momentoso problema, que defraudara milhares de aforradores.
Aqui, mais a Sul, apenas a impresa generalista se debruçou sobre o assunto, motivo de mediatismo. Houve abordagens a vários agentes, sobretudo a comerciantes do ramo.
Era presumível, alguém ter servido de capa, mesmo sem o saber, que aquele tipo de negócio era proibido por lei. Porém altos funcionários houve, que não o deviam ignorar.
Como o negócio, era mal gerido, funcionários desonestos, acabavam, por também ir delapidando, em proveito próprio.
Funcionou uma Fundação, dita em favor das filatelias de Espanha e Portugal, com Direcção de grandes filatelistas espanhóis, naturalmente como cortina de fumo, para que várias entidades internacionais, do meio, sem o suspeitarem, servissem o mesmo fim.
Paula, podia encerrar o dossier, como assunto inconclusivo, na medida em que iria estar uma eternidade, em contencioso de onde parece não passar.
O Humberto e outros milhares de aforradores, bem poderão esperar sentados, porque juros e capital já eram! Apesar das muitas recorrências a várias entidades susceptíveis de serem capazes de liderar o assunto.
O facto, é que se tinham esgotado os fundos suavemente, muito suave e francamente.
Posto isto, depois de prolongados afagos, suspiros e ais, veio à mesa outro caso, propriamente dito um mistério.
Tratava-se do que estava referenciado, como “A Estrangeira,” de que a Eufrásia, esperava resposta. Havia muito empenho de ambos, bastantes visitas incógnitas ao respectivo Pub, onde trabalhara o Teófilo.
O Gil soubera, por um colega, que Natacha passara férias em Lisboa e que na altura Teófilo gozara também alguns dias.
Só a ele contara o caso.
Também o convidara a ir ao apartamento.
Pressupostamente, apenas ele saberia do caso, que realmente não fora segredo de deuses, porquanto os pombinhos almoçavam por perto do “Meia Taça” e por ali descansavam em bancos de jardim, quando outros colegas passam e testemunhavam o espectáculo.
Havia, trocas de confidências na sequência.
Não se sabia mais, além disto, mas era previsível, que os contactos continuassem por correspondência.
Havia ainda, a francesa Lucienne.
O assunto, estava muito envolto de mistério!

Daniel Costa