ÚLTIMA CARTADA
Numa cidade, como Lisboa, onde em muitos casos se pode estar prazenteiramente na janela do quarto, a olhar agradavelmente o rio Tejo e a magnitude do seu atraente estuário, ao mesmo tempo sentir um frémito de desconforto por tanta devassidão, que a cada passo se detecta. Era nisto em que, embora no seu positivismo, Paula ia meditando. De facto o mundo tinha de tudo, como fraudes, que ficavam à luz do dia, a justiça de um país dito civilizado, não encontrando provas, acabava por arquivar.
A corrupção vem-se instalando, mesmo a alto nível e as leis, talvez porque o poder económico paga tudo, não procuram adequar as leis ao tempo?
Proliferará o medo da verdade?
Quem alimenta esse temor?
Paula pensava nisto tudo, as suas “Investigações Particulares”, não têm falta de trabalho, a maior parte das vezes, o que ali é provado, a justiça estando muito dependente das leis emanadas pelo poder económico, dá como não provado.
Não poderá ser considerada abúlica uma justiça, onde casos há, em que o veredicto, muitas vezes anda de Pôncio para Pilatos vários anos?
Quando a sentença é conclusiva o réu, apanha simplesmente pena suspensa, o mesmo que dizer:
- Absolvido!... A sociedade pede desculpa pelo incómodo!...
Paula continua sempre a beneficiar do carinho do Gil, do seu conhecimento sociológico e da sagacidade pessoal que apresenta.
Este é movido, exactamente por apreciar o trabalho da amiga, sente-se recompensado pelo reconhecimento desta.
Depois acontece ternura, logicamente.
Entretanto, Gil ama de a esposa de verdade, a bonita, a doce, a inteligente Daniela. Esta por sua vez, equaciona vezes, sem conta, a possível infidelidade do marido, mas sempre o achou carinhoso e amoroso.
Acha melhor viver e deixar viver, nunca o questionou ou intrometeu.
Mal conhecia a rival, de quem não alimenta ciúme, é assim a Daniela, uma verdadeira senhora!
Paula continua mantendo os seus encontros com Zeca, na pastelaria “Corália”, dado que esta sabe ser amiga e mantém uma conversa actualizada agradável.
Soube assim que sofreu, mas como continuou sempre extremamente cerebral, acabava de conluio com Joel, ir oferecendo uns dinheiritos ao Helmer, com que este ai até ao bar, deixando-os em casa sós.
Como um casal de rolas, arrulhavam felizes!...
Hoje Joel e Zeca formam um casal feliz, em casa própria.
As “Investigações Particulares” superiormente, administradas por Paula, vão mantendo o inefável, mulherengo Campelo prosseguem.
FIM DO DO "TEJO NORTE", FIM DO BLOG, ESTE ENSAIO POLICIAL FICA Á DISPOSIÇÃO DE TODOS OS BLOGUER'S.
Daniel Costa